
O Ministério da Fazenda tomou uma decisão que desagradou integrantes do BNDES ao incluir a possibilidade de capitalização de bancos públicos no limite de despesas do arcabouço fiscal. Essa medida é mais rígida do que a atual limitação de gastos, e foi implementada para evitar a percepção de que haveria espaço para grandes investimentos em instituições financeiras, o que seria um erro repetido por gestões passadas.
Apesar de o plano da equipe do BNDES não incluir mais transferências significativas de recursos do Tesouro para a instituição, o banco gostaria de ter sido mais consultado na tomada de decisão.
O governo está preocupado com a divisão da diretoria do Banco Central em relação à situação real do mercado de crédito no país, de acordo com membros da área econômica. A avaliação é de que o crédito está passando por um aperto maior do que o esperado, e quanto mais rápido isso for percebido, mais fácil será para a área econômica avançar em pautas para ajudar empresas que precisam de recursos. Dentre as medidas consideradas estão a criação da Letra de Crédito ao Desenvolvimento (LCD) e as mudanças nas taxas de remuneração do FAT.
A ata da última reunião do Copom mostra que alguns membros do comitê acreditam que a retração do crédito está em linha com as expectativas, enquanto outros acreditam que o aperto nas concessões de crédito já é mais intenso do que o esperado.
O governo pode enfrentar dificuldades para aprovar a Medida Provisória que criou a estrutura da atual administração, pois parlamentares reclamam da demora na liberação de cargos de segundo e terceiro escalão, argumentando que seria difícil aprovar um desenho administrativo do qual não fazem parte. O relator da proposta, deputado Isnaldo Bulhões, pretende conversar com o Planalto após ouvir todas as reivindicações de deputados e senadores, a fim de verificar onde o Executivo está disposto a ceder. Alguns parlamentares consideram que a articulação do governo está ruim e que falta diálogo com líderes.